O desenvolvedor do Bitchat, Calle, respondeu com desdém à ameaça do governo do Uganda de bloquear o aplicativo de mensagens descentralizado antes das eleições presidenciais do país, marcadas para a próxima semana. Em uma postagem no X, Calle afirmou: “Boa sorte, amigo. Você não pode parar o Bitchat. Você não pode nos parar”.
A reação ocorreu após Nyombi Thembo, diretor executivo da Comissão de Comunicações de Uganda, declarar na segunda-feira que sua equipe tem o conhecimento técnico para desativar o Bitchat. Thembo afirmou trabalhar com “a maior concentração de desenvolvedores de software e engenheiros do país” e minimizou o aplicativo, chamando-o de “uma coisinha”.
O contexto eleitoral explica o interesse pelo Bitchat. Dados compartilhados por Calle mostram que mais de 400.000 ugandenses já baixaram o aplicativo após o líder da oposição Bobi Wine incentivar a instalação como medida de precaução. Uganda tem histórico de cortar a internet durante eleições, como ocorreu em 2016 e 2021.
O Bitchat funciona através de redes mesh Bluetooth, permitindo comunicação criptografada sem necessidade de conexão com a internet. O aplicativo é totalmente descentralizado, sem servidores centrais, contas, endereços de e-mail ou números de telefone para registro.
O impacto prático para usuários de criptomoedas é significativo. A resistência do Bitchat à censura governamental demonstra na prática os princípios de descentralização que fundamentam muitas tecnologias blockchain. O caso ugandense mostra como aplicativos descentralizados podem oferecer comunicação resiliente em contextos de restrições governamentais.
O aplicativo tem ganhado popularidade global em situações similares. Em setembro, cerca de 50.000 usuários nepaleses recorreram ao Bitchat durante protestos contra corrupção, enquanto Madagascar registrou aumento similar semanas depois. Em novembro, foi o segundo aplicativo mais baixado na App Store da Jamaica durante o furacão Melissa, quando o acesso à internet falhou na região.
Calle aproveitou o momento para incentivar mais desenvolvedores ugandenses a contribuir com projetos de código aberto, afirmando: “Não precisamos da permissão de ninguém para escrever código. Livre e de código aberto. Imparável. Do povo para o povo”.
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